O vice-governador e presidente do Conselho do Plano Rio Grande, Gabriel Souza, abordou o sucateamento da ferrovia operada sob concessão federal e as perdas no escoamento da safra devido à deficiência desse modal durante a Câmara Temática de Infraestrutura. A reunião, realizada nesta quarta-feira (2/4), no Palácio Piratini, contou com representantes do governo federal e entidades do setor produtivo do Rio Grande do Sul.
O estudo encomendado pelo governo do Estado, por meio da Portos RS, revelou dados alarmantes: uma queda de 50% na quantidade de cargas transportadas pela ferrovia gaúcha desde 2006 e a possibilidade de uma economia de, pelo menos, 22% no custo do frete até Rio Grande, se houver investimentos na revitalização do modal. A análise também destacou o sucateamento das ferrovias, o baixo aproveitamento para o escoamento de safras e os danos após as enchentes do ano passado, que isolaram as ferrovias gaúchas do restante do país.
Gabriel enfatizou que “décadas de concessão sem modernização e investimentos resultaram em locomotivas e trilhos obsoletos. Isso torna o transporte ferroviário pouco atrativo, sendo um dos mais lentos do país, operando a apenas 12 quilômetros por hora". Ele mencionou as rotas limitadas e a incerteza nos prazos de entrega das mercadorias, especialmente após os estragos das enchentes.
Soluções para o futuro
O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, que participou da reunião remotamente, afirmou que o órgão está articulando com a concessionária a devolução do trecho afetado. “Estamos trabalhando em uma solução que permita o retorno do trem turístico, além de negociar com a Rumo e considerar o projeto como um todo. Entendemos a importância desse trecho ferroviário não apenas para a economia local, mas para todo o Estado”, ressaltou.
Felipe Ferreira de Ferreira, coordenador regional de Fiscalização Ferroviária da ANTT, também esteve presente e destacou que a ANTT já emitiu mais de 600 autos de infração à concessionária, com mais de 300 relacionados à Malha Sul. “Sabemos que a ferrovia no Rio Grande do Sul precisa de mais atenção, e isso está sendo cobrado. Há estudos em andamento para redirecionar os trechos ferroviários não utilizados pela empresa”, explicou.
Além da reativação das linhas inoperantes, Gabriel mencionou investimentos necessários, como a criação de um novo trecho entre Santa Maria e São Gabriel, que reduziria a distância para o recebimento de cargas do interior do Estado, especialmente de grãos, no Porto de Rio Grande.
A reunião teve a participação dos secretários de Logística e Transportes, Juvir Costella; do secretário-executivo do Plano Rio Grande, Paulinho Salerno; do presidente da Portos RS, Cristiano Klinger; além de representantes de diversas entidades ligadas ao tema.
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