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Estudo do Proadi-SUS que avalia a prevalência de tuberculose em crianças chega a 80% dos dados coletados 
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Estudo do Proadi-SUS que avalia a prevalência de tuberculose em crianças chega a 80% dos dados coletados 

Amostras são retiradas por meio de técnica trazida da África do Sul pelos pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento (RS)

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Com 10,6 milhões de casos notificados em 2021, a tuberculose (TB) está entre um dos grandes desafios de saúde global. Anualmente, são registrados mais de 84 mil novos casos e cerca de seis mil mortes no Brasil — país que está entre os 30 com maior incidência da doença, de acordo com o Ministério da Saúde (MS). No entanto, esses números podem ser ainda maiores, uma vez que a detecção da enfermidade em crianças é, geralmente, subdiagnosticada devido à dificuldade de confirmação bacteriológica e à semelhança dos sintomas com outras infecções respiratórias.

 Por isso, desde 2021, o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), lidera, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) Ministério da Saúde, um estudo sobre tuberculose pediátrica (TBPed) no País, dividido em duas linhas de atuação. A primeira delas é o TBPed, que tem o objetivo de identificar a prevalência da doença em crianças de seis meses a 15 anos incompletos. Já a segunda é o GTX, que busca comparar três estratégias diferentes para investigar a proporção de contatos (<10 anos) intradomiciliares de pacientes com tuberculose ativa que iniciam o tratamento para tuberculose infecção — quando a pessoa está infectada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, mas não há sintomas.

“Nosso objetivo é aprimorar o diagnóstico e promover mudanças no padrão de investigação da doença. Se não soubermos a real incidência da tuberculose pediátrica, não conseguiremos conduzir adequadamente as estratégias de saúde”, destaca a líder operacional do TBPed, Márcia Polese.

Dados são coletados em todo o Brasil com técnica da África do Sul

O TBPed está sendo conduzido em 22 centros distribuídos nas regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. Já foram coletados todos os dados de crianças e adolescentes hospitalizados por problemas respiratórios e continua sendo realizado o recrutamento de participantes  ambulatoriais com suspeita de tuberculose.

A hipótese inicial indicava uma incidência entre 2% e 3% na população hospitalizada, mas os dados preliminares sugerem uma taxa superior. No Rio Grande do Sul, as cidades de Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Viamão, Cachoeirinha e Passo Fundo participam do estudo. 

Para aumentar a precisão diagnóstica, a pesquisa avalia o uso do escarro induzido, técnica que melhora a qualidade das amostras coletadas, reduz custos e garante maior segurança no procedimento. Para aprofundar essa abordagem, membros da equipe foram à África do Sul para aprender como era realizada a aplicação em crianças. 

“O escarro induzido pega secreções das vias respiratórias inferiores, permitindo uma melhor detecção da tuberculose pulmonar, especialmente em crianças e pessoas com dificuldades em produzir escarro espontaneamente. Com essas amostras conseguimos ver se a pessoa tem a bactéria, mesmo em menor volume de material coletado”, explica o infectologista pediátrico do Hospital Moinhos de Vento, Marcelo Scotta, um dos médicos que fez o treinamento no continente africano. 

Até o dia 18 de março deste ano, foram realizadas 2.545 coletas de escarro induzido, atingindo 81% do total de amostras necessárias para conclusão da pesquisa. O TBPed está no segundo triênio (2024-2026) e a expectativa é de que o estudo seja finalizado no ano que vem.

Investigação com três diferentes tipos de exames

O GTX também está no segundo triênio, com 47% dos dados coletados e participação de seis centros distribuídos pelos estados do Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. A pesquisa busca comparar três diferentes combinações de exames para identificar se a criança ou o adolescente tem necessidade de tratamento para tuberculose infecção ou tuberculose ativa, utilizando:

  • Estratégia padrão recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde, que inclui rastreamento de sintomas, prova tuberculínica e radiografia de tórax;

  • Estratégia com rastreamento de sintomas, prova tuberculínica e teste rápido molecular;

  • Estratégia com rastreamento de sintomas e radiografia de tórax.

Após a randomização, se for indicado o tratamento para tuberculose infecção e o participante concorde, ele será acompanhado pela equipe do estudo para monitoramento da adesão e possíveis eventos adversos. “Com essas comparações, poderemos avaliar se as investigações mais simplificadas resultam em um aumento na taxa de indivíduos que iniciam o tratamento da tuberculose infecção”, conclui a líder operacional do TBPed.

FONTE/CRÉDITOS: Ascom
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